primeiro, vem a constatação: preciso emagrecer.
acabou de subir na balança e se olhar no espelho de casa, só de calcinha e sutiã. “o que foi que me tornei?” é a única coisa em que você consegue pensar. não abre nem mais os álbuns de quando tinha 15 anos – além do ser ridiculamente feia com aquelas roupas do início dos anos 90 (quem se lembra?), a sua própria magreza te causa inveja. e olha você lá, no espelho, gordurinhas para todos os cantos, celulite… não pode nem sacudir o braço assim que os primeiros sinais de flacidez e envelhecimento já estão aparecem. tenta se iludir: “olha aqui, ainda não tenho nenhuma ruguinha no olho”. mas o resto…
aí, vem o segundo sintoma: depressão. antes que algum psicólogo me corrija, não é aquela depressão… depressssãaaaao de remédio, mas é uma tristeza sem fim, que começa já no café-da-manhã ao pensar no que vai comer. e se estende ao longo do dia, com ênfase especial nas refeições. mas também aparece quando você veste uma calça jeans e parece uma pamonha amarrada, dividida em duas partes de gordura. também quando vai tomar banho e olha para os pés e vê aquela saliência na barriga que nunca teve antes. e ainda quando vai dar tchau para o namorado e tudo balança naquela parte terrível do braço.
ainda nessa fase, você compra todas as revistas de dietas milagrosas que encontra no supermercado, mesmo estando com o carrinho cheio de bolachas. olha sites de celebridades só para achar alguém com o seu corpo – mas ali todo mundo tem dinheiro e vive na lipoaspiração. não se conforma com a barriga da carolina dieckmann e se acha mais parecida com a fase baleia-gravidez dela. mas ainda pensa que se ela teve solução, você também tem, mesmo estando com um pote de sorvete na mão.
aí, um dia, você acorda, do nada e pensa: “tenho que reagir”. nunca sei o que faz essa fase engatilhar, mas sempre aguardo ansiosamente o dia que ela apareça. você pula da cama, se olha no espelho, pega uma fita métrica, estipula metas, tira até uma foto sua de biquini pensando que uma hora você manda para a Boa Forma publicar o quanto você teve garra e vontade de mudar.
e aí se matricula em academia ou vai pro parque correr ou volta para a drenagem linfática. vai ao supermercado e se atenta apenas à parte de frutas e legumes e verduras. passa longe do corredor de doces e massas. e sai já se sentindo leve.
e esse é o problema.
em tempos de consumismo, você já acha que estando com tudo pronto, milagrosamente as coisas começam a acontecer e você, a emagrecer. mas aí, já no segundo dia de letargia, você descobre que na verdade precisa de um empurrão. e o empurrão que faltava foi ver a menina do trabalho que você detesta estar magra, magra, magra. ou a atual do seu ex exibindo um corpão. ou a própria chata da carolina dieckmann pegando um brozne na barra com aquela %*($@) barriga chapada.
e aí parece que a coisa engata. você começa a correr loucamente, a cumprir todos os compromissos assumidos para a gordura ir pelo ralo. e começa a gostar de suar, de correr, de ficar cansada e feliz, cheia de endorfina por todo o corpo. e começa a botar prêmios: ganhar uma roupa nova de ginástica, aquele tênis todo poderoso (e caríssimo) de corrida, uma viagem para algum lugar… e até uma barra de chocolate.
e aí, meus amigos, quando o prêmio passa a ser o que te fez ficar daquele jeito, não tem como. você se esforça, esforça. consegue o prêmio e acha que não volta mais para a forma de geleca. e vai ficando desatenta, come um pouquinho aqui, não recusa mais os salgadinhos da festa do trabalho, um docinho de vez em quando não faz mal.
e de repente, em alguns meses, lá está você de novo, subindo na balança e se perguntando:
“o que foi que me tornei?”
.
* qualquer semelhança com a realidade é “mera” coincidência.

dizem que, na bahia, só não vai atrás do trio elétrico quem já morreu. e como tudo vira festa aqui, a presença do lula não foi diferente. fui atrás de mil trios elétricos, tenho vida para dar e vender agora.
MYS – Arte, Moda e Gastronomia
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cineminha
jantar? lá fora!


