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os aliens

25 mai

Os aliens talvez você não acredite
mas há pessoas
que passam a vida
sem o menor
atrito ou
agonia
eles se vestem bem, comem
bem,
dormem bem
estão satisfeitos com a vida em família.
eles têm momentos de
melancolia
mas no geral
não são incomodados
e, frequentemente,
sentem-se
muito bem quando morrem
é uma morte fácil, geralmente,
dormem.
talvez você não acredite
porém essas pessoas existem.
mas eu não sou
uma delas
ah não, eu não sou
uma delas
eu nem chego perto
de ser
uma
delas
mas elas estão

e eu estou
cá!

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Bukowski

18 mai

quando minha veia poética
estourou ela virou pra mim
e disse “deixa sangrar”
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(nicolas behr)

yo leo

11 mar

em buenos aires, as pessoas lêem.

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simples assim. sentados num café, em pé do lado da banca de jornal, dentro do táxi, no metrô. até os mendigos lêem. deixam o chapéu no chão a espera de moedas… e ficam lendo. livros, jornais. basta falar um pouco com os caras para ver que eles não ficam só nas páginas espreme-que-sai-sangue. sabem de política, economia, coisas que acontecem mundo afora.

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este ano, buenos aires vai ser a capital mundial do livro. merecidamente. a partir do dia 23 de abril, a cidade ganha o título da unesco. durante todo esse tempo, o país que já vive da leitura vai ser infestado por uma programação mais densa sobre o assunto. época ideal para visitar a cidade.

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em buenos aires, a cena típica de leitor voraz em qualquer canto é incentivada cada vez mais – com ou sem título de capital do livro. projetos, como o  yo leo en el bar, com a escolha de bares notables - como o tortoni, el gato negro e o bar do hotel castelar – onde vários títulos são colocados a disposição dos clientes. é chegar, escolher um livro e um café e ficar por horas ali. a coleção completa dos livros de jorge luís borges pode ser encontrada nesses locais.

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ou o la noche de las librerías, em que um dos trechos mais movimentados da movimentada avenida corrientes – entre a callao e a talcahuano, onde há praticamente uma livraria ao lado da outra – é fechado para que os pedestres, ou melhor, os leitores tomem conta do local. o evento, realizado uma vez por ano, leva cerca de 100 personalidades da literatura e artes no geral. em alguns locais é possível até achar sofás e poltronas, no meio da rua, para acomodar discussões com autores.

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ainda há o no hay ciudad sin poesía - adorei esse nome – para comemorar o dia internacional da poesia, no 21 de março e a campanha  a mí, regalame un libro - pra facilitar na hora de dar presentes, já deixando claro: para mim, me dê um livro.  esses são outros exemplos do que a cidade promove sobre o assunto, isso, sem contar a feira do livro…

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buenos aires, me aguarde este ano.

book.

25 fev

essa, vi no twitter.

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sabendo vender o produto, até parece coisa original, né?
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e está acabando o mês e não li nenhum livro. ok. pelo menos, nenhum em português… em francês, foram 3 livrinhos. só agora peguei um livro que toda vez que ia na livraria cultura ficava folheando, mas como sabia que minha sogra tinha, resolvi pegar pra ler: ilha sobre mar, da isabel allende.

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engraçado que agora que peguei o livro pra ler – e é bom – me deu uma vontade gigante de ler ‘a montanha mágica’, do thomas mann. talvez pelo momento que tem a ver com a história do livro. falando nisso, comprei um exemplar há alguns anos. acho até que usado, numa banquinha de um sebo num festival de rock – o que torna o objeto até mais querido. comecei a ler e fui futricar na internet para ver em quais circunstâncias o thomas mann o havia escrito. bingo: li o final do livro. fiquei tão decepcionada que larguei o livro na prateleira e pensei em lê-lo só depois que esquecesse o fim.

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quem me conhece sabe da minha péssima memória. até por isso sou menos fofoqueira do que deveria ser – esqueço o que os outros me contam. mas o maldito final do livro… não consigo esquecer. depois de ficar anos emburrada com meu cérebro, agora decidi que saber o final do livro não o torna menos especial (porque ele realmente é interessante).

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e está decidido: leio allende e depois o mann. acho que não consigo terminar os 2 antes das férias. mas pelo menos um, termino até o carnaval.

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(ok, esse blablablá todo sobre livros, na verdade, escondem várias histórias que estão flutuando sobre a minha cabeça agora. mas talvez seja melhor falar hoje sobre livros do que lembrar da péssima noite de ontem. de não dormir direito. de chorar. e  ficar com o coração apertado o dia inteiro. de esboçar sorrisos que não estava com vontade de dar. sim, talvez falar de livros seja melhor do que falar)

all i wanna do

12 fev

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falando em ler… eu estou órfã de livro. depois de ler “extremamente alto e increvelmente perto”, do jonathan safran foer, não consegui achar um livro para o momento. já pensei em pegar a bio do keith richards, em ler alguns livros indicados por amigos, já fui na fnac e na cultura, e nada.

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talvez, o que falte ainda, é olhar dentro das minhas caixas de livros, ainda fechadas, da mundaça de um ano atrás.

a morte (e as histórias que são enterradas com ela)

22 jan

essa semana, duas pessoas morreram no meu prédio.

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desde que me mudei pra cá, acho que umas cinco ou seis.

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claro que uso a informação pra fazer piada. afinal, quem mais eu conheço que mora num lugar que morre tanta gente? mas, a verdade, é que ficou um clima meio estranho no prédio. no quadro de avisos, o convite para o funeral e para missa de 7º dia.

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até a menina da limpeza, encucada com essa sequência de mortes, passou nos corredores dos apartamentos onde as pessoas haviam morrido fazendo uma faxina mais pesada. segundo ela, para levar embora essa “poeira de cemitério” que se instalou por aqui.

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quando eu ouço falar de gente próxima (no caso, mais fisicamente do que emocionalmente) que morreu, a primeira coisa que me vem na cabeça são as histórias dessa pessoa que acabam indo para o túmulo com ela. por isso admiro que faz diários no papel, daqueles que se esconde de todo mundo. porque pelo menos uma parte da história de vida dessa pessoa – e, principalmente, a visão dela sobre os fatos – não morre. fica ali.

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o livro que estou lendo agora – extremamente alto e incrivelmente perto – fala um pouco disso. e, como livros sempre me afetam muito (e já estou pensando num outro post sobre isso), fico pensando nas histórias que foram embora com a morte dos outros. meu avô, um cara tão fechado, dificilmente vou saber as histórias de quando era jovem ou o que achava da vida, se pensava um pouco mais profundo de vez em quando sobre tudo. porque, além de não falar muito, também não deixava escrito por aí o que pensava.

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e aí, ele morre. o que ele pensa morre. vai tudo embora.

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um tudo que talvez fosse mais importante para mim do que qualquer outra coisa que ele tivesse deixado para trás. a vontade que dá é sair com meu gravadorzinho por aí pedindo que as pessoas contem o que realmente importa para elas. aquilo que elas pensam quando estão na cama, assim que acordam, mas antes de se levantar. o que incomoda sobre viver – porque, sim, às vezes viver incomoda. o que faz dar pulos (nem que seja só na cabeça) por gostar tanto.

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essa semana eu acordei um dia e me deparei com o sol batendo no meu rosto. virei para o lado, fazendo careta, achando ruim. e depois me lembrei que, quando criança, eu gostava tanto do sol assim. apertava os olhos para tentar ficar vendo aquela bola amarela sem queimar a retina. e comecei a pensar onde foi, em que parte da vida, eu parei de gostar do sol. não de gostar, gostar assim. mas onde, de repente, comecei a fazer cara feia quando ele me acorda.

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enfim, sabe? esse tipo de coisa…

por isso admiro tanto os livros e os escritores. porque o ser humano pode ir. mas o que ele pensa, pode ficar por um bom tempo ainda por aqui.

o ano e os livros

22 dez

e já que desembestei a falar de livros, fiquei um tempo parada, olhando para a parede, tentando lembrar todos os livros que li este ano. os primeiros que me vinham à cabeça foram dois emprestados pela sogra, os dois da isabel allende. resolvi, então, sair com um bloquinho de anotações pela casa procurando os livros que li.

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(acontece que sou desorganizada demais).

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e esse foi um dos anos da minha vida que mais li. talvez porque tenha parado de assistir televisão. por pura preguiça – não confunda isso com engajamento social ou intelectual. eu trabalho para tv. mas não assisto tv. ando com preguiça.

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aí consegui achar alguns poucos. mas achei tão pouco frente ao que lembro ter lido – mas, na verdade, esqueci o nome de vários. os que encontrei jogados por aqui foram esses:

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1. maus – art spiegelman
2. juliet nua e crua – nick hornby
3. tudo se ilumina – jonathan safran foer
4. o vinho da juventude – john fante
5. as aventuras de tow sayer – mark twain
6. o médico e monstro – r. l. stevenson
7. histórias extraordinárias – edgar allan poe
8. a filha da fortuna – isabel allende
9. inês da minha alma – isabel allende
10. a noite das bruxas – agatha christie
11. viver para contar – gabriel garcía marquez (ainda lendo)
12. ultrametabolismo – mark hyman
13.  o método gabriel – jon gabriel

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enfim, tudo misturado: literatura, auto-ajuda saudável, adolescente, quadrinhos, etc. tem mais coisa. por exemplo, eu sei que li mais coisa em quadrinhos, só não tô lembrando o quê. ah, tem mais coisa. mas só isso já mostrou que foi mais de um livro por mês. agora, no final do ano, que dei uma desacelerada. mas acabei lendo coisa demais para escrever a monografia (não li livros completos, mas só pelo peso teórico teriam que entrar aqui).

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espero que em 2011 eu leia mais.

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*** fecham-se as cortinas e logo cai uma placa, pendurada, do teto: e eis que surge o primeiro desejo para o ano novo.

gosto

22 dez

chegamos em frente a livraria gigante que sempre faz os olhos brilharem. ainda estávamos de mãos dadas quando entramos. mas, sem perceber, foi cada um pra um lado e aquela coisa de ternura e companheirismo se desfaz instantaneamente ao entrarmos ali. ele tem os gostos dele. e eu, os meus.

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fui para a prateleira de livros estrangeiros. peguei dois. depois, literatura. jonathan safran… s… ss…. s.. cadê? não tem. então deve estar no foer… jonathan safran foer… f… f.. fffff… nada. fui atrás de uma vendedora. tinha, mas não estava lá, tinha acabado de chegar. reservou pra mim.

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outra seção. “vida saudável”. de uns anos pra cá tenho freqüentado essa. hmm. nada de novo no front. pelo menos, que eu saiba. logo ao lado, livros de exercício. falando nisso, dia desses mandei um e-mail para um professor de yoga aqui perto de casa falando que era agitada e que queria praticar. yôoooogaaa… como todo bom aluno metido a indiano insiste em te corrigir quando você mete um acento agudo no óooo… yóooooga.

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enfim, o professor disse que já que eu sou agitada não ia gostar de yôoooga. quer dizer, não a do tipo que queria fazer. “faz a normal mesmo”, me disse.

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e o pior é que a normal mesmo minha mãe acabou confessando depois que é bem monótona.

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então, resolvi que pra saber se vou gostar ou não de yôoooga, preciso de uma aula. e uma aula surgiu ali, na minha frente. em dvd. e com uma das mulheres do desesperate housewifes. mórbida semelhança. eles sabem vender essas coisas. e logo aquela atriz, que interpreta a ex-modelo, sabe?

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ok. esse vai para sacola também. então foram 2 de presente, um pra mim e um… pra mim também.

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encontro com ele na fila. uma pilha de livros na mão. cada um foi para um caixa e pronto. saindo dali, confesso:

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- eu comprei um dvd de yóga.
- sério?
- sério, ué. eu quero saber se vou gostar disso ou não.
- mas não é assim que você vai saber se gosta ou não.
- claro que é.

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e ficou por isso, com um assunto encerrado na cara de desapontamento dele. na hora de ir embora, ele me deu as sacolas dele para segurar enquanto dirigia. pedi para ver. ele deu um sorriso de canto de boca e disse: “não vale me gozar”.

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abri e ali estavam um livro em inglês de mapa mental. um outro sobre nutrição mental – sim, isso existe. outro sobre sei lá o quê, mas era treinamento do cérebro. já no quarto, estava dando gargalhadas. é, era também sobre alguma coisa cerebral. só os 3 últimos – uma trilogia – de ficção científica.

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segundo ele, a melhor história de ficção do mundo… de 1966.

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(idas a livrarias sempre rendem boas histórias. hoje ainda fiquei uns 15 minutos sentadas numa das poltronas, com três livros abertos no colo, olhando as pessoas escolhendo seus títulos. dava até para chutar pela cara de cada uma delas. a japinha na seção de ficção atrás dos livros de vampiros. o engravatado olhando umas coisas de neruda… provavelmente presente. o tatuado na estante de quadrinhos. um senhor meio enfeitiçado folheando um livro do émile zola. o de óculos, meio nerd, no andar de cima, entre os cds, procurando algo tipo super novo para ele: led zeppelin – e nem quero imaginar o que ele faz escutando os caras)

keith richards, seu fanfarrão!

6 nov

de um mês pra cá, tudo quanto é revista que pego, lá está ele: keith richards.

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é ele no novo piratas do caribe, é ele publicando uma auto-biografia no jornal the times, é ele dizendo que a pir@$&* do mick jagger é minúscula… enfim, até na caras tinha o mick jagger (leitura essencial na esteticista, gente!).

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o cara, um dos mais interessantes dos rolling stones (ok, quem não é interessante ali?), realmente me fez querer ler seu novo livro – life. o guitarrista que durante uma década ficou na lista de pessoas com mais chance de morrer por causa das drogas, hoje está limpo e diz que só isso já é uma viagem.

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pérolas do livro estão sendo publicadas exaustivamente na internet – até no site ‘ego’ achei coisas dele (ahaha). entre as histórias, ele conta que só percebeu depois de dois anos que um dos amigos de seu filho não era traficante de drogas, mas sim, “o edward mão-de-tesoura”, o ator johnny depp.

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richards também chama mick jagger de vossa majestade e brenda. tudo foi divulgado após ser mostrado para o vocalista. mas não pense que há ‘vetos’ de jagger… apesar de ele ter tentado. a única parte que o incomodou foi vir a público que ele tinha um treinador vocal. mesmo assim, keith publicou a informação.

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por causa das histórias contadas no livro, a disney chegou a cogitar retirar keith richards do elenco do quarto filme da série piratas do caribe – que está sendo rodado agora e deve sair em maio do ano que vem – por causa das declarações sobre drogas. o guitarrista confirma, entre outras histórias psicodélicas (por mais hippie que o termo possa parecer) que cheirou mesmo as cinzas do pai misturada com cocaína.

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para ter uma prévia da língua afiada, tem esse vídeo de uma entrevista dada à bbc:

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para quem, assim como eu, está doida para ler a auto-biografia dele, o submarino já está fazendo a pré-venda aqui por r$ 39,90.

um cara que atravessou meu caminho

23 ago

voltei dos estados unidos com um nome na cabeça: ferlinghetti.

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a história toda começou quando entrei no vesúvio. o bar, fundado em 48, era frequentado pelos escritores da geração beat – não preciso falar aqui o quanto gosto. era ponto frequente de kerouac, dylan thomas e neal cassady. desde que a rê havia me falado do bar, era o ponto em san francisco que mais queria conhecer.

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a convite do casal de amigos – natty e dave – fomos numa noite pra lá. achamos uma mesa vazia, no bar lotado, na parte de cima, num canto escuro e soturno, onde uma placa pendia do teto: booth for ladies psychiatrists (cabine para senhoras psiquiatras). era o local de onde se via o bar inteiro: a parte de cima e debaixo. dali, a visão era completa. por isso, se tornou ponto de análise das outras pessoas.

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mas dali, vi outra coisa interessante: uma livraria, do lado de fora, do outro lado do beco. conversando com o dave, namorado da natty, ele contou que os poetas beats se encontravam no andar de cima da livraria. comecei a ficar fascinada pelo local. mas terminadas as bebidas ali, com o vento da noite mais fria das férias batendo nos ossos, resolvemos pegar um táxi e voltar para o hotel.

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mas a idéia de passar ali de novo ficou na cabeça.

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no último dia, depois de andarmos por chinatown, caímos como que por quase uma coincidência em frente ao vesúvio. nesse dia, não resisti e fiquei sapeando a vitrine da livraria. todos os livros que sempre quis ler, livros que nem sabia que existiam de gente como bukowski.

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entrei, dei uma olhada rápida e meus olhos pararam em um livrinho pequeno, de capa preta com um quadrado vermelho no meio. pensei se levava ou não – sempre odeio ter esses pensamentos em viagens, porque sempre perco ótimas oportunidades. mas desta vez, não vacilei. tinha ficado encantada com a poesia que vi no livro. o autor tinha um nome interessante: lawrence ferlinghetti. filho de imigrantes, com certeza, como muitos da geração beat. comprei. barato, cerca de 12 dólares.

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de volta ao brasil, peguei o livro para ler: poetry as insurgent art. poesia sobre poesia. fui atrás de mais coisas sobre esse cara. na verdade, ele veio atrás de mim.

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escrevendo o roteiro da viagem, me detive em pesquisar mais sobre uma região da califórnia: big sur. pelas buscas, acabei encontrando um livro do kerouac com o nome da região. achei interessante e fui olhar sobre o que era: um período em que o escritor ficou na cabana de um amigo, em big sur, exilado, escrevendo um livro.

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o nome do amigo: ferlinghetti.

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a coincidência me fez querer saber mais sobre esse cara. fui atrás e descobri que ele é um dos poetas da geração beat. e mais: é o dono da city lights. sim, É, no presente. vivo até hoje, escrevendo até hoje, morando em san francisco.

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e cada vez mais que me aprofundo na história, acabo descobrindo outras coisas. é tanta coisa que recomendo dois links, sobre a livraria, que pode contar um pouco mais sobre toda essa geração:

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. City Lights Bookstore: Uma livraria em meio às luzes da cidade (parte I)

. A Geração Beat em San Francisco e a Liberdade de Expressão – City Lights Book Store – parte II

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e se san francisco continua a me trazer surpresas assim, mesmo depois de ter saído de lá… é sinal de que preciso voltar.

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