voltei dos estados unidos com um nome na cabeça: ferlinghetti.
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a história toda começou quando entrei no vesúvio. o bar, fundado em 48, era frequentado pelos escritores da geração beat – não preciso falar aqui o quanto gosto. era ponto frequente de kerouac, dylan thomas e neal cassady. desde que a rê havia me falado do bar, era o ponto em san francisco que mais queria conhecer.
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a convite do casal de amigos – natty e dave – fomos numa noite pra lá. achamos uma mesa vazia, no bar lotado, na parte de cima, num canto escuro e soturno, onde uma placa pendia do teto: booth for ladies psychiatrists (cabine para senhoras psiquiatras). era o local de onde se via o bar inteiro: a parte de cima e debaixo. dali, a visão era completa. por isso, se tornou ponto de análise das outras pessoas.
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mas dali, vi outra coisa interessante: uma livraria, do lado de fora, do outro lado do beco. conversando com o dave, namorado da natty, ele contou que os poetas beats se encontravam no andar de cima da livraria. comecei a ficar fascinada pelo local. mas terminadas as bebidas ali, com o vento da noite mais fria das férias batendo nos ossos, resolvemos pegar um táxi e voltar para o hotel.
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mas a idéia de passar ali de novo ficou na cabeça.
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no último dia, depois de andarmos por chinatown, caímos como que por quase uma coincidência em frente ao vesúvio. nesse dia, não resisti e fiquei sapeando a vitrine da livraria. todos os livros que sempre quis ler, livros que nem sabia que existiam de gente como bukowski.
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entrei, dei uma olhada rápida e meus olhos pararam em um livrinho pequeno, de capa preta com um quadrado vermelho no meio. pensei se levava ou não – sempre odeio ter esses pensamentos em viagens, porque sempre perco ótimas oportunidades. mas desta vez, não vacilei. tinha ficado encantada com a poesia que vi no livro. o autor tinha um nome interessante: lawrence ferlinghetti. filho de imigrantes, com certeza, como muitos da geração beat. comprei. barato, cerca de 12 dólares.
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de volta ao brasil, peguei o livro para ler: poetry as insurgent art. poesia sobre poesia. fui atrás de mais coisas sobre esse cara. na verdade, ele veio atrás de mim.
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escrevendo o roteiro da viagem, me detive em pesquisar mais sobre uma região da califórnia: big sur. pelas buscas, acabei encontrando um livro do kerouac com o nome da região. achei interessante e fui olhar sobre o que era: um período em que o escritor ficou na cabana de um amigo, em big sur, exilado, escrevendo um livro.
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o nome do amigo: ferlinghetti.
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a coincidência me fez querer saber mais sobre esse cara. fui atrás e descobri que ele é um dos poetas da geração beat. e mais: é o dono da city lights. sim, É, no presente. vivo até hoje, escrevendo até hoje, morando em san francisco.
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e cada vez mais que me aprofundo na história, acabo descobrindo outras coisas. é tanta coisa que recomendo dois links, sobre a livraria, que pode contar um pouco mais sobre toda essa geração:
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. City Lights Bookstore: Uma livraria em meio às luzes da cidade (parte I)
. A Geração Beat em San Francisco e a Liberdade de Expressão – City Lights Book Store – parte II
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e se san francisco continua a me trazer surpresas assim, mesmo depois de ter saído de lá… é sinal de que preciso voltar.